Uma amiga pediu para que eu a ensinasse "como faz", logo após eu ter dito que 2006 foi o ano em que eu decidi jamais amar alguém novamente.
Essa é uma receita que muitos procuram. Poucos tem real certeza de que é isso que querem. A maioria simplesmente busca alívio imediato após uma perda, separação ou decepção, geralmente amorosa.
Amar ou não não é a questão. A questão é permitir-se. Permitir-se ser feliz, e permitir-se entristecer. Permitir-se sentir as coisas de verdade. Permitir-se admitir. Permitir-se simplesmente estar, e não sempre ser.
Pessoas extremamente metódicas e perfeccionistas geralmente se vêem obrigadas a jurar bobagens como essa. Nunca mais amar, Nunca mais chorar, Nunca mais colocar o nome do colega no trabalho que ele nem pensou em ajudar a fazer... E etc.
Jurar não é o problema. O problema é manter-se fiel ao juramento por muito tempo. É aí que entra a questão de "permitir-se".
Tudo - TUDO - tem um lado bom e um lado ruim. Não permitir-se experimentar o lado ruim é proibir-se de experimentar o lado bom também.
Uma vez Fabrício Carpinejar disse que a vaia tem mais entusiasmo que o aplauso. Isso poderia, teoricamente, desvirtuar e confundir o que eu estava escrevendo. E é justamente por isso que adio a minha conclusão sem prazo determinado.
Sem mais
S. David
segunda-feira, 3 de maio de 2010
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