domingo, 3 de outubro de 2010

metade sobre amor, metade sobre amizade. misturei. e daí?

Um grande medo do ser humano é arrepender-se de suas próprias convicções. Ser pego de surpresa por uma rasteira de sua maior idealização...

Acredite, isso acontece com todo mundo. Eu, tu... E em se tratando de amor... "Ele" também.

Essa é a pior parte. É a mais dolorida. É quando se trata de amor. É a maior idealização, a convicção mais medrosa, e a dor mais aguda.

Não sei dizer se o que eu sinto é saudade, quando te leio. Mas é um aperto no peito. Algo entre saudade e raiva, eu acho.

Mas isso não me faz querer parar de te ler. Muito pelo contrário.

á quando ouço tua voz, tenho certeza que é raiva. Não sei explicar. É tão diferente. A saudade é o cheiro que tuas palavras tem pra mim.

Quando elas saem da tua boca, não as vejo. Só as ouço. Teu tom me é tão estranho. Não há perfume nas tuas vírgulas. Faltam tuas reticências.

felicidade

Um dia a gente encontra ela.
Provavelmente não numa esquina.
Felicidade a gente encontra em lugares mais prosaicos, eu acho.
Esquina é um lugar poético. Claro que é. Quer algo mais poético que um encontro?
A esquina é sempre um encontro.

Que mania engraçada essa de achar que a gente vai encontrá-la em lugares poéticos.
Encontrar a felicidade já é algo belo suficiente para ser poético por si só. Não precisa ser num lugar poético não.
Se um dia você encontrar a felicidade, lembre disso. Pode apostar que você vai estar no meio da rua mais comum da sua cidade.



E se você algum dia encontrar a felicidade numa esquina... Tudo bem! Ninguém proibiu a felicidade de se esconder em lugares poéticos também.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

vento ventania

Tem uma coisa engraçada sobre mim
O meu humor depende muito do clima, do tempo.
Mas é aquela coisa imperfeita sempre, que busca um pouquinho de cada peculiaridade climática e tenta criar o dia perfeito. Não consegue, mas tenta se adaptar.

Eu amo barulho de chuva. Olhar pela janela e ver a chuva. As ruas molhadas, as árvores molhadas, as avenidas lotadas, nuvens cinza.
Mas eu ODEIO dia de chuva. Odeio sair em dia de chuva. Odeio viver em dia de chuva. Odeio fazer qualquer coisa em dia de chuva!
Eu queria poder abrir uma "janela de dia de chuva" quando sentisse saudade do clima chuvoso, do barulhinho gostoso, na hora de dormir, preferencialmente. Mas que a chuva não estivesse realmente lá. Que fosse só uma janela para uma outra dimensão, a dimensão chuvosa.

Eu amo vento. Amo vento quente, amo vento frio. Vento bagunça os cabelos, mas quando toca na pele, a gente sente que tá vivo. Vento mostra que a gente é de carne e osso. Vento é mágico.
O meu favorito é o vento norte. Depois explico por que.

Eu amo calor. Calor de leve, não escaldante. Um dia quente, ENSOLARADO. Nem cogito a possibilidade de gostar de um dia quente, nublado, abafado. Dia quente tem que ser seco e ter sol. Sentar na grama no sol. Comer bergamota no sol. Passear com seu cachorro no sol. Tomar coca cola com gelo na sombra, mas sabendo que o sol tá ali, ali do lado.

Eu amo lua. Lua cheia, minguante, crescente, nova.. Tanto faz. Luar é uma coisa linda.
Olhar pro céu e lá estar ela: bonita. No meio das nuvens, ou sozinha. Mesmo escondida, ela está lá refletindo a luz, e você vê aquele "feixe de luar" tímido por entre as nuvens.


Vento norte e lua cheia. Cheguei ao ponto onde queria chegar.
Não sei qual é o fascínio, não sei o porquê dele, não entendo absolutamente por que diabos eu amo vento norte e lua cheia.
Já falei algumas vezes, para algumas pessoas, na tentativa de descrever essa minha paixão, que vento norte e lua cheia eram dois fenômenos que me tinham gosto de NOSTALGIA.

Pra mim algumas coisas tem gosto. Coisas tipo sentimentos. Eu sinto o gosto deles. Não sei explicar. Mas sinto.

E nostalgia é isso. Tem um gostinho. De vento norte. E de lua cheia. Lua cheia no verão.
Nostalgia pra mim tem gostinho quente. Não muito. Uns 25 graus, 27 no máximo. Por isso "lua cheia no verão". Vento norte eu nem preciso explicar que é vento quente né.

Mas não é "saudade específica", preste atençao. É nostalgia generalizada. O sentimento nostálgico. Não de algo específico.

É tão complicado assim para você explicar sentimentos como para mim? Imagino que seja.

Enfim. Nostalgia é gostoso. Eu amo nostalgia. Eu amo vento norte. Eu amo lua cheia. Eles são praticamente a mesma coisa para mim. Se confundem. Eu não saberia dizer se tem algum que representa melhor o outro.
Eu devo ter alguma lembrança muito louca, muito gostosa, muito marcante no meu subconsciente de algum dia de vento norte, lua cheia, na minha infância.
Bem longínqua, afinal, há muitos anos eu sinto isso. Nem lembro desde quando.

Se eu não concordasse que é uma hipótese tosca, eu poderia dizer que nasci gostando de vento norte e lua cheia. E o sentimento de nostalgia? Não sei se é obrigatório que a nostalgia tenha conexões. Se ela existe por si só ou não. Mas para mim é um sentimento tão gostoso, me arrisco a dizer que, se eu tivesse que descrever o que todo mundo chama de "amor", eu utilizaria a palavra "nostalgia".

Essa é outra complexidade. Todo mundo fala tanto do amor. Ninguém sabe o que é. Nem eu.
E a nostalgia que eu sinto? E se for amor e eu não sei? Amor pelo que? Pelo vento norte. E pela lua cheia.

Me perdi. Dentro de mim mesma

Boa noite.


25/08/10

segunda-feira, 26 de julho de 2010

memorias

sabe de uma coisa?

registros são legais.
a partir de agora acho que vou registrar mais frequentemente coisas legais.
e vou apagar as coisas tristes.
tipo postagens tristes de blogs e no twitter, fotos tristes.
tirar mais fotos. pra poder escolher mais fotos felizes pra guardar.

porque no final das contas, quando voce olha pra tras, e ve esses registros felizes, e nao ve os tristes, ou nao os possui, voce tem aquela ilusao maravilhosa de que sua vida foi legal.

isso serve de estimulo pra começar de novo, tentar fazer a vida ser legal de novo.
voce nunca vai se dar conta de que os registros de coisas ruins foram apagados. confie em mim.

quero dizer, isso se a sua memoria for uma merda que nem a minha, claro.

biblioteca

cara. eles nao deixam entrar com agua, nem capuccino, nem balas, nem NADA na biblioteca. e eu tenho q passar tipo 8h direto nela. q merda.


acho que deveria existir um teste de habilidade em consumir produtos alimenticios na biblioteca sem destruir os livros ou o recinto


ou então, melhor. muitas cameras e uma sanção (tipo repor o livro e doar mais 2) pra quem danificasse algum livro com produtos alimenticios


vai dizer. é bem melhor que NAO PODER ENTRAR COM PORRA NENHUMA na biblioteca, tem gente q nao consegue trabalhar sem agua, café, etc. eu.


nem parece q eu estudo direito. mas veja bem, normativizar consumo de produtos em ambientes não é a minha area de interesse, entao ta ok.


Fri May 28 2010 17:22:10 (Hora oficial do Brasil) via web
eu gosto das pessoas. eu só não sei o que fazer com elas.
6:05 PM May 30th via Chromed Bird

felicidade = banho quente ouvindo belle and sebastian, capuccino na caneca favorita, depois um livro com marcador.
5:04 PM May 30th via Chromed Bird

chicolatras
"E nada como um tempo após um contratempo; Pro meu coração"
9:07 AM May 29th via web
Retweeted by you and 100+ others
“Se algum dia você vier a se perder na selva africana, nada de desespero. Sente-se sobre uma pedra e comece a preparar um Dry Martini...
12:35 PM Jun 1st via Chromed Bird
...Eu garanto: em menos de 5 minutos vai aparecer alguém dizendo que a dosagem de gim e vermute está errada”. E. Hemingway
12:35 PM Jun 1st via Chromed Bird

twitter

algumas despedidas não exigem palavras. nem olhares. nem mesmo saber-se mutuamente.
2:44 AM Jun 2nd via web
algumas despedidas existem por si só. contrariando tanto a física quanto a gramática.2:44 AM Jun 2nd via web


CARPINEJAR

O que não posso escrever me mata.
9:27 AM Jun 2nd via web


pequenaepifania

Subjetiva e objetivamente, a menina era tremendamente solitária.
10:19 AM Jun 2nd via web

conde_sergio

Twitter é mais difícil que Dostoiévski. Pelo menos nos romances há notas de rodapé.
4:19 PM Jun 4th via web


nao existe distinção entre bom poeta e mau poeta, a não ser o fato de que o primeiro escreve para muitos, o segundo escreve para alguns.
6:25 PM Jun 4th via web

ah e que fique claro: essa não é a minha concepção de mau poeta. é como eu vejo que as pessoas veem os que nao escrevem lugar-comum
6:34 PM Jun 4th via web

segunda-feira, 3 de maio de 2010

2006

Uma amiga pediu para que eu a ensinasse "como faz", logo após eu ter dito que 2006 foi o ano em que eu decidi jamais amar alguém novamente.
Essa é uma receita que muitos procuram. Poucos tem real certeza de que é isso que querem. A maioria simplesmente busca alívio imediato após uma perda, separação ou decepção, geralmente amorosa.
Amar ou não não é a questão. A questão é permitir-se. Permitir-se ser feliz, e permitir-se entristecer. Permitir-se sentir as coisas de verdade. Permitir-se admitir. Permitir-se simplesmente estar, e não sempre ser.

Pessoas extremamente metódicas e perfeccionistas geralmente se vêem obrigadas a jurar bobagens como essa. Nunca mais amar, Nunca mais chorar, Nunca mais colocar o nome do colega no trabalho que ele nem pensou em ajudar a fazer... E etc.
Jurar não é o problema. O problema é manter-se fiel ao juramento por muito tempo. É aí que entra a questão de "permitir-se".

Tudo - TUDO - tem um lado bom e um lado ruim. Não permitir-se experimentar o lado ruim é proibir-se de experimentar o lado bom também.

Uma vez Fabrício Carpinejar disse que a vaia tem mais entusiasmo que o aplauso. Isso poderia, teoricamente, desvirtuar e confundir o que eu estava escrevendo. E é justamente por isso que adio a minha conclusão sem prazo determinado.

Sem mais

S. David

quarta-feira, 14 de abril de 2010

sobre as convenções

O que nos leva a adotar convenções? A praticidade, facilidade, essa extrema sede que temos de achar uma maneira mais fácil de resolver os problemas do dia a dia.
Girar a chave em sentido horário para abrir a porta, e anti horário para fechar;
Abrir a porta puxando-a para trás, etc... Esse tipo de coisa não exige uma convenção formal, uma padronização. É algo que simplesmente introjetamos ao longo da vida.
Sobre girar a chave, desconheço uma explicação sobre o porquê do sentido horário de girar, tampouco conheço uma sobre as fechaduras que destrancam girando no sentido anti horário.
Sobre as portas, é sabido que o melhor é que abram quando empurramos, e não puxamos, provavelmente por causa das saídas de emergência, de maneira que "empurrar" numa situação de pânico é mais fácil do que puxar.

Isso é ok. Talvez faça sentido, embora muita gente, numa situação de pânico, vai puxar a porta por estar acostumado. E vai morrer em desespero. Que trágico.

O real problema das convenções, para mim, no momento, é essa padronização das tomadas.
QUE COISA HORRÍVEL. praticamente todos os eletrodomésticos que eu tenho, e carregadores de bateria, e aparelhos eletrônicos, enfim. Quase todos tem tomadas DIFERENTES dessas que são o atual padrão.
Meu apartamento está sendo reformado. Todas as tomadas foram trocadas. Por essas "tomadas novas". Eu nunca tive muitos adaptadores em casa, tinha bastantes tomadas a disposição. E agora, por causa dessas tomadas novas + falta de adaptadores, eu me vejo não conseguindo ligar a torradeira elétrica na cozinha, tendo que leva-la para a sala, onde ainda tem uma das tomadas antigas.
ISSO É TRISTE DEMAIS. fazer torrada na sala.

Eu sei que não vai demorar muito pra todos os aparelhos eletronicos e eletrodomesticos virem com as tomadas padrão e etc.. mas até todos os meus eletrodomésticos serem trocados, ou então eu comprar mil adaptadores, vou ficar com essa raiva de ter que fazer torrada na sala. hahahaha

quarta-feira, 17 de março de 2010

desespero insone não tão desesperado assim

Jacob Dylan, frontman da banda The Wallflowers e também filho de Bob Dylan, esclareceu uma vez que uma composição sua, a mais bela na minha opinião, "One Headlight", tratava sobre a morte de idéias.
A música fala sobre a morte "dela", alguém indefinido, dando margem a muitas interpretações, por isso usei a palavra "esclareceu".

Como se dá a morte de uma idéia?
De várias maneiras, creio eu, e algumas conheço bem, como por exemplo a decepção.
Mas... Acredito que hoje meus pensamentos estejam tomados pela morte de más idéias. Ou não tão más assim, simplesmente idéias idiotas. Idéias nonsense que surgem do vazio. Essas idéias geralmente são as que a gente escolhe matar, sem piedade. Somente pelo fato de ter semi acordado de um pesadelo, e ter visto que talvez a melhor maneira de sair dele, por ora, seja descartar todos os seus frutos.

Falei que surgiam do vazio, tais idéias. Então. O vazio é aquele sentimento de "tudo está dando errado para mim", mesmo que nada realmente esteja acontecendo.
O vazio é a solidão rodeada de pessoas.
Ou não. Talvez seja simplesmente a solidão.
Imperativo é o fato de cada um possuir seu próprio vazio, moldado de acordo com a parte mais obscura do inconsciente. Como se simplesmente 'do inconsciente' nao fosse obscura o bastante.

A maioria das pessoas que eu conheço diz que adora fugir da rotina, que odeia rotina e essas coisas. Quando fujo propositalmente da minha rotina, simplesmente não sei o que fazer. Fico perdida dentro de mim mesma. Será que Para que as coisas pareçam boas elas precisam de uma razão de ser? Ou será que elas precisam realmente ser? pura e simplesmente "ser", eu quis dizer.